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O que as eleições de 2026 nos ensina sobre comunidades

O QUE as ELEIÇÕES de 2026 NOS ENSINA sobre COMUNIDADES

Em 2026 uma coisa ficou escancarada para todo mundo ver: agências de publicidade, grandes empresas e a esmagadora maioria dos profissionais de marketing simplesmente não entenderam o que são comunidades digitais e humanas.

E eu não estou dizendo isso com ar de superioridade ou do alto de um pedestal de marqueteiro iluminado. Falo isso porque acompanho o mercado por dentro e porque essa dinâmica foi testada, comprovada e escancarada diante dos nossos olhos nas urnas das últimas eleições.

A inspiração para este artigo veio de uma reflexão cirúrgica do meu amigo e colega de profissão Jean Oliveira, somada à minha própria vivência prática quando atuei como gerente de comunidade dentro de agência. A lição central que a política deu no marketing tradicional resume-se a uma verdade inconveniente:

Comunidade você não cria do zero em uma planilha; comunidade você participa e catalisa.

Seja você uma marca corporativa, um criador de conteúdo ou um profissional de Social Media, se continuar achando que comunidade é criar um grupo fechado no WhatsApp, distribuir cupom e esperar que as pessoas amem seu produto como amam uma ideologia, você vai continuar jogando dinheiro e tempo no ralo.

No livro Mídias Sociais sem Frescura, eu bato na tecla de que quem domina o comportamento humano não fica refém de métricas de vaidade. Neste guia, vamos dissecar o que as campanhas eleitorais de 2026 provaram sobre o sentimento de pertencimento, a força das crenças pré-existentes e o abismo que separa a venda de um produto descartável da personificação de uma ideia.

O grande erro do marketing moderno: achar que comunidades são inventadas do zero

O mercado corporativo desenvolveu uma ilusão arrogante nos últimos anos. Publicitários começaram a acreditar que bastava contratar uma agência descolada, definir uma cartela de cores pastel, criar um manifesto em PDF e abrir um canal no Discord para que uma “comunidade de marca” surgisse magicamente.

A ilusão da criação artificial de grupos em planilhas

Nenhuma comunidade genuína nasce porque um diretor de criação decidiu que ela deveria nascer. Agrupamentos humanos espontâneos se formam ao redor de dores compartilhadas, visões de mundo em comum, revoltas coletivas ou rituais de convivência que já existem muito antes do seu briefing ser aprovado.

Por que ferramentas não constroem pertencimento

Empresas confundem canais de distribuição com laços comunitários. Um grupo no WhatsApp com 500 pessoas silenciadas ou uma página corporativa com comentários moderados não configuram uma comunidade; são apenas listas de transmissão com verniz moderno.

A lição de Jean Oliveira: comunidade é participação, não fabricação

Quando você compreende que o papel da marca pessoal ou corporativa não é “criar”, mas identificar onde os grupos já conversam e se posicionar de forma legítima dentro dessa conversa, toda a sua estratégia de Social Media muda de patamar.

Termos relacionados: engenharia comunitária, sentimento de pertencimento, ilusão corporativa, alinhamento de valores, agrupamento social espontâneo

O laboratório eleitoral de 2026: discursos prontos e validação prévia

Se você quer entender comportamento de massas sem filtro, olhe para a política. As eleições são o maior teste de tração de comunidades que existe no país, e o que vimos em 2026 não foi uma disputa de planos de governo técnicos, mas de espelhamento de narrativas que já estavam enraizadas na sociedade.

O Brasil real vs. a bolha do marketing institucional

O Brasil é um país profundamente conservador em suas bases, com tensões sociais históricas e polarizações que atravessam gerações. Enquanto o marketing corporativo tenta agradar todo mundo com discursos higienizados e neutros, os atores políticos sabem exatamente com quem estão falando.

Por que nenhum candidato falou "da boca para fora"

Quando figuras públicas com votações expressivas de diferentes espectros — como Lucas Pavanato, Jones Manoel, Nikolas Ferreira, Amanda Campopiano ou Ana Elisa — sobem ao palanque ou publicam um corte de vídeo nas redes sociais, eles não inventaram aquelas pautas no dia anterior. Eles personificam sentimentos que suas respectivas bases já sentiam e repetiam há décadas.

A replicação de narrativas históricas nas redes

Seja o discurso conservador que apela para pautas morais e tradicionais, seja a bandeira progressista focada em direitos trabalhistas e justiça distributiva, o sucesso das campanhas nas mídias sociais consistiu em dar voz amplificada a convicções que as próprias comunidades já validavam diariamente nos seus círculos íntimos.

Termos relacionados: validação comunitária, discurso de massa, comportamento eleitoral, espelhamento social, ressonância de narrativa

A personificação da ideia: por que pessoas compram crenças, não propostas

A eleição de 2026 provou que o eleitor não vota necessariamente no melhor projeto em PDF de 80 páginas; ele vota em quem representa a sua identidade, o seu medo e a sua raiva ou esperança.

O candidato como catalisador de um sentimento pré-existente

O representante político atua como um para-raio da comunidade. Ele não convence a massa a mudar de ideia no meio do caminho; ele oferece à massa a permissão e a validação pública para que ela continue acreditando no que sempre acreditou sem se envergonhar.

O contraste de pautas e a força das trincheiras ideológicas

Ao levantar debates sobre costumes, pautas de gênero, papel da mulher ou distribuição de renda, os candidatos operaram como porta-vozes de comunidades que já têm seus próprios códigos morais, gírias e repertórios estabelecidos há anos — ou há séculos.

A lealdade incondicional a quem "fecha com a crença"

Quando alguém encontra uma voz que valida sua visão de mundo, essa pessoa não abandona o barco no primeiro erro pontual. Ela defende, compartilha, briga nos comentários e coloca a própria reputação em jogo para sustentar aquela narrativa coletiva.

Termos relacionados: identidade de grupo, porta-voz de nicho, validação ideológica, polarização cognitiva, fidelidade comunitária

O abismo entre vender um produto e sustentar uma causa

É aqui que o choque de realidade precisa atingir em cheio o marqueteiro e o dono de empresa. A forma como um indivíduo se relaciona com um produto comercial é infinitamente mais frágil e volátil do que a forma como ele se relaciona com uma crença comunitária.

O exemplo da montadora de carros e o limite do consumo

Imagine uma montadora de veículos tentando “criar uma comunidade”. Ela pode até mapear grupos no Facebook de pessoas que trocam peças ou customizam motores. Mas, no fim do dia, ela vende um produto físico utilitário. Se o motor quebrar demais, o serviço de pós-venda for ruim ou o concorrente lançar um carro elétrico melhor e mais barato, o cliente troca de marca sem nenhum peso na consciência.

Por que clientes trocam de produto, mas pessoas não trocam de crença

Se uma mulher escuta um posicionamento que ataca a dignidade de quem ela é, ou se um trabalhador se sente representado por uma pauta salarial, aquilo mexe com os pilares da sua existência. Você pode enjoar do sabor do refrigerante ou do modelo do seu tênis; você não “troca de ideologia” no checkout da loja porque encontrou um cupom de 10% de desconto.

A falsa equivalência entre clube de benefícios e comunidade real

Oferecer pontos que viram cashback ou desconto na próxima compra é estratégia de fidelização de vendas (e tem seu valor comercial). Chamar isso de “comunidade”, no entanto, é fechar os olhos para a diferença entre um incentivo financeiro transitório e uma conexão emocional definitiva.

Termos relacionados: volatilidade do consumidor, fidelização comercial vs. crença, custo de troca, atrito de marca, proposta utilitária

Como o Social Media e as marcas devem atuar diante dessa realidade

Se a sua marca vende sabonete, software, consultoria ou serviços de Social Media, como você deve se posicionar sem cair no ridículo de tentar fingir que é uma revolução política ou social?

Identifique onde a sua audiência já se reúne e sofre

Em vez de gastar energia tentando fundar a sua própria praça pública, faça pesquisa de campo. Descubra quais são as conversas reais que acontecem nos grupos do WhatsApp, no LinkedIn, no Reddit ou nos comentários do YouTube. Um exemplo clássico: profissionais de marketing que desabafam diariamente sobre a vontade de largar a profissão por exaustão e sobrecarga de agência. Isso é uma dor compartilhada real.

Assuma um ponto de vista com coragem e sem firula

Marcas que tentam agradar todo mundo terminam esquecidas por todos. No livro Mídias Sociais sem Frescura, eu defendo que ter um tom de voz direto, autêntico e sem medo de dizer o que precisa ser dito é a única maneira de construir relevância em um mercado saturado de conteúdos mornos.

Sirva como facilitador de uma ideia maior do que a sua oferta

A marca inteligente não se coloca como o centro das atenções; ela se posiciona como a ferramenta que apoia uma comunidade que já existe. Se você fala para Social Medias cansados de ser tratados como apertadores de botão, o seu conteúdo precisa dar poder, método e voz para essa classe, e não apenas empurrar templates prontos.

Termos relacionados: escuta social (social listening), posicionamento firme, dores de mercado, facilitação de comunidade, diferenciação autêntica

Perguntas Frequentes

Uma marca comercial pode criar uma comunidade digital do zero?

Dificilmente. O que as marcas de sucesso fazem na prática é identificar um grupo de pessoas que já compartilha uma paixão, um estilo de vida ou uma dor em comum (como entusiastas de café especial, corredores de rua ou profissionais de tecnologia) e criar um ambiente que facilita e valoriza a convivência desse grupo, em vez de tentar inventar o interesse do nada.

Qual a principal lição que as eleições deixam para o marketing digital?

A lição de que o discurso que gera engajamento e mobilização profunda não é criado em reuniões de agência, mas capturado da própria sociedade. Os candidatos vencedores são aqueles que personificam ideias e sentimentos que já existiam e estavam latentes nas suas bases, espelhando com fidelidade a crença do seu eleitorado.

Qual é a diferença entre uma audiência de redes sociais e uma comunidade?

A audiência é passiva: ela apenas consome seu vídeo, curte e segue o feed. A comunidade é ativa e interconectada: os membros conversam entre si, defendem a causa em debates públicos, compartilham a mensagem espontaneamente e mantêm o vínculo mesmo se a plataforma ou o produto mudarem de lugar.

Como um Social Media pode aplicar o conceito de comunidade no dia a dia?

Fazendo escuta ativa (social listening) de verdade nos canais do cliente, mapeando as dores e gírias reais do público nos comentários e directs, e produzindo conteúdos com posicionamento claro que façam as pessoas pensarem “finalmente alguém teve coragem de falar sobre isso”, fugindo de postagens genéricas e mornas.

Por que muitas agências tradicionais vendem estética em vez de estratégia?

Porque vender layouts bonitos e feeds organizados é visualmente mais fácil de aprovar com clientes leigos no curto prazo. Criar estratégia exige análise de dados, integração de tráfego pago com conteúdo orgânico e foco em vendas reais — algo que muitas agências generalistas preferem terceirizar ou ignorar.

Além das redes sociais, você precisa de uma ferramenta de design (Canva/Photoshop), uma de edição de vídeo (CapCut), uma de organização de fluxo (como o Aprova Post) e uma IA de apoio (como o ChatGPT ou Gemini) para auxiliar no brainstorming.

Marcos, mentor de Social Media, Publicitário e estrategista.

Se você quer sair da “bolha do post” e realmente tirar sua agência do papel ou entender de negociação real, eu tenho um convite.

Muitos profissionais travam na hora de cobrar, na hora de prospectar ou simplesmente não sabem como escalar sem trabalhar 20 horas por dia. É por isso que criei a minha mentoria “Social Media Além do Instagram”.

Aviso do Marcos: Se você quer parar de ser o “carinha do post” e virar o estrategista que o mercado paga caro para ter, o link está aqui embaixo. Sem fórmulas mágicas, só o que eu aprendi em mais de duas décadas de campo.

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